11 de dezembro de 2008
A cerca de sonhos e separações…

Era uma casa, grande e vazia, e uma semi escuridão de noite enluarada, ranger de portas e muitas redes penduradas pelos cômodos, nestas redes, parentes velhos do tempo de minha ida infância, todos mortos, todos familiares, eu não tinha medo, era só uma saudade misturada com surpresa de ver velhos sábios e falecidos todos nas redes desse velho casarão… pela janela grande da frente o Anapú e a mangueira carregada de ninhos de japiins que fica na frente da casa da tia Leonila…
Não era a casa sem paredes dela, entretanto, o escuro casarão onde eu estava … Eu fui à s redes, falei com os velhos e eles me disseram coisas, me contaram segredos e me lembraram de alguns sonhos do nosso povo, me falaram das receitas para dores que não aprendi por conta do abandono precoce do lar, das coisas difÃceis que a civilização trazia, da paz perdida com a distância do mato… eu ia de velho em velho numa calma ouvidoria, nada falei, sentia apenas o coração aconchegado de estar perto de pessoas Ãntimas, familiares e amorosas… eles me falaram de mim, de como eu deveria honrar minha origem, fazer valer minhas vontades e manter vivo o espÃrito aguerrido dos nossos ancestrais.
Elas me fizeram ver, que não tenho vivido a realização de sonhos, que tenho me distraÃdo de meu próprio bem e de como isso me tornava de alguma forma, algo para o que eu não fui feita, uma pessoa triste, fosse nada isso que me acomete , eu teria a pueril felicidade de outros tempos de coração vazio e corpo quente, falaram-me de como o ciúme envenena a alma e atormenta o espÃrito, me disseram de manter mente e corpo limpos e não alimentar desejos que farão tristes outras pessoas, chorei em sonho, acordei chorando e decidi parar, parar pra pensar um pouco nas outras muitas coisas que podem ocupar minhas preocupações , das outras muitas coisas que podem estar no lugar desta angústia.
Vislumbrei um futuro de tormentas, de alma envenenada, de gritos histéricos e indecifráveis e grosseiros silêncios e me vi triste, me vi murcha, calada, burra, e dessa vez não chorei, levantei, não, não quero que me envenenem a alma, não quero que me atormentem a mente, quero a paz que meus antepassados me prometeram, se eu parasse de desejar o que não me pertence e nem faz esforço pra ser meu.
Como já disse, e como eu há muito intuÃa sem materializar as frases certas, quero que meu coração tenha no amor não uma idéia imaterializada, muda e figurante de um plano outro de realidades, quero que meus afetos sejam simples como o sol se pondo, que eu saiba , sem dúvidas que ele estará ali no horizonte e que basta-me sentar na areia para que ele me dê a alegria besta de apreciar algo inevitável e cotidiano…
Juro por Deus que acordei sozinha e vazia, com algo que mandei pro estômago debaten-se ainda de lembranças e promessas vãs, e o vazio do meu peito me trrouxe uma paz, que anseio, a paz de não precisar correr atrás do imprevisÃvel, e eu entendi… entendi que esse tipo de solidão que eu tenho , e esses tipos estranhos de amor que sinto e desisto, são fantasias de minha alma romântica, desvarios do meu espÃrito fraquejante por afeto e me consolei…
Cá estou agora, prisioneira de meus outros sonhos, adepta de uma mais egoÃsta filosofia… nada será como antes, por que nada deste antes me fez, em momento algum , plenamente feliz, e a partir de agora só me interessam alegrias e todas as tristezas não entrarão mais no quesito sentimentos inevitáveis de amores brutos , mas na condição de problema á ser resolvido.
Não sou ainda forte o suficiente para que amanhã tudo isso seja um muro erguido que me separe deste amado problema e desta aflição na minha alma, mas cá estou pá na mão, tijolos á vista… pra construir o que ninguém tem tido alma suficiente, um grande muro de separação… e nunca mais acordarei com a alma tÃmida, o peito oprimido e os pés gelados de solidão…
criado por Andrezza Almeida
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