Salão da Colombina.

Um resto do que não foi sussurrado, ou espalhado pelo mundo pelas ruas e avenidas, um pouco do intervalo infâme entre carnavais …

26 de dezembro de 2008

Do poeta ao poeta , pela poetizza…

 

 

 

 

Meu caro poeta,

 

 

 


Por um lado foi bom que me tivesses pedido resposta urgente, senão eu jamais escreveria sobre o assunto desta, pois não possuo o dom discursivo e expositivo, vindo daí a dificuldade que sempre tive de escrever em prosa. A prosa não tem margens, nunca se sabe quando, como e onde parar.
O poema, não; descreve uma parábola tracada pelo próprio impulso (ritmo); é que nem um grito. Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emotiva, como o fariam os românticos. Deve, sim, trazer uma carga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração só o tempo dirá. Por isso há versos de Camões que nos abalam tanto até hoje e há versos de hoje que os pósteros lerão com aquela cara com que lemos os de Filinto Elísio.

 

Aliás, a posteridade é muito comprida: me dá sono. Escrever com o olho na posteridade é tão absurdo como escreveres para os súditos de Ramsés II, ou para o próprio Ramsés, se fores palaciano. Quanto a escrever para os contemporâneos, está muito bem, mas como é que vais saber quem são os teus contemporâneos? A única contemporaneidade que existe é a da contingência política e social, porque estamos mergulhados nela, mas isto compete melhor aos discursivos e expositivos , aos oradores e catedráticos.

Que sobra então para a poesia? - perguntarás. E eu te respondo que sobras tu. Achas pouco? Não me refiro à tua pessoa, refiro-me ao teu eu, que transcende os teus limites pessoais, mergulhando no humano. O Profeta diz a todos: “eu vos trago a verdade”, enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: “eu te trago a minha verdade.” E o poeta, quanto mais individual, mais universal, pois cada homem, qualquer que seja o condicionamento do meio e e da época, só vem a compreender e amar o que é essencialmente humano.

Embora, eu que o diga, seja tão difícil ser assim autêntico. Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos!

 

Meu poeta, se estas linhas estão te aborrecendo é porque és poeta mesmo. Modéstia à parte, as disgressões sobre poesia sempre me causaram tédio e perplexidade. A culpa é tua, que me pediste conselho e me colocas na insustentável situação em que me vejo quando essas meninas dos colégios vêm (por inocência ou maldade dos professores) fazer pesquisas com perguntas assim: “O que é poesia? Por que se tornou poeta? Como escrevem os seus poemas?” A poesia é dessas coisas que a gente faz mas não diz.

 

A poesia é um fato consumado, não se discute; perguntas-me, no entanto, que orientação de trabalho seguir e que poetas deves ler. Eu tinha vontade de ser um grande poeta para te dizer como é que eles fazem. Só te posso dizer o que eu faço. Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre em qualquer parte, nas ocasiões mais insólitas. A esta imagem respondem outras. Por vezes uma rima até ajuda, com o inesperado da sua associação.

(Em vez de associações de idéias, associações de imagem; creio ter sido esta a verdadeira conquista da poesia moderna.) Não lhes oponho trancas nem barreiras. Vai tudo para o papel. Guardo o papel, até que um dia o releio, já esquecido de tudo (a falta de memória é uma bênção nestes casos). Vem logo o trabalho de corte, pois noto logo o que estava demais ou o que era falso. Coisas que pareciam tão bonitinhas, mas que eram puro enfeite, coisas que eram puro desenvolvimento lógico (um poema não é um teorema) tudo isso eu deito abaixo, até ficar o essencial, isto é, o poema. Um poema tanto mais belo é quanto mais parecido for com o cavalo. Por não ter nada de mais nem nada de menos é que o cavalo é o mais belo ser da Criação.

 

Como vês, para isso é preciso uma luta constante. A minha está durando a vida inteira. O desfecho é sempre incerto. Sinto-me capaz de fazer um poema tão bom ou tão ruinzinho como aos 17 anos. Há na Bíblia uma passagem que não sei que sentido lhe darão os teólogos; é quando Jacob entra em luta com um anjo e lhe diz: “Eu não te largarei até que me abençoes”. Pois bem, haverá coisa melhor para indicar a luta do poeta com o poema? Não me perguntes, porém, a técnica dessa luta sagrada ou sacrílega. Cada poeta tem de descobrir, lutando, os seus próprios recursos. Só te digo que deves desconfiar dos truques da moda, que, quando muito, podem enganar o público e trazer-te uma efêmera popularidade.



Em todo caso, bem sabes que existe a métrica. Eu tive a vantagem de nascer numa época em que só se podia poetar dentro dos moldes clássicos. Era preciso ajustar as palavras naqueles moldes, obedecer àquelas rimas. Uma bela ginástica, meu poeta, que muitos de hoje acham ingenuamente desnecessária. Mas, da mesma forma que a gente primeiro aprendia nos cadernos de caligrafia para depois, com o tempo, adquirir uma letra própria, espelho grafológico da sua individualidade, eu na verdade te digo que só tem capacidade e moral para criar um ritmo livre quem for capaz de escrever um soneto clássico. Verás com o tempo que cada poema, aliás, impõe sua forma; uns, as canções, já vêm dançando, com as rimas de mãos dadas, outros, os dionisíacos (ou histriônicos, como queiras) até parecem aqualoucos.

 

E um conselho, afinal: não cortes demais (um poema não é um esquema); eu próprio que tanto te recomendei a contenção, às vezes me distendo, me largo num poema que vai lá seguindo com os detritos, como um rio de enchente, e que me faz bem, porque o espreguiçamento é também uma ginástica. Desculpa se tudo isso é uma coisa óbvia; mas para muitos, que tu conheces, ainda não é; mostra-lhes, pois, estas linhas.

Agora, que poetas deves ler? Simplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, em vez de tu a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi, e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência. Já li poetas de renome universal e, mais grave ainda, de renome nacional, e que no entanto me deixaram indiferente. De quem a culpa? De ninguém. É que não eram da minha família.
Enfim, meu poeta, trabalhe, trabalhe em seus versos e em você mesmo e apareça-me daqui a vinte anos. Combinado?

 

Mario Quintana

 

 ps: vê se não demora tanto meu bem…

criado por Andrezza Almeida    14:23 — Arquivado em: Sem categoria

24 de dezembro de 2008

Lenine

criado por Andrezza Almeida    10:26 — Arquivado em: Sem categoria

Entre o fim e o começo…

 

é assim, vai findando o ano, vão findando as coisas, e começa aquele momento de colocar as coisas na caixa do ano ido e começar a desencaixotar o ano novo…

faz tempo que eu deixei de acreditar em papi noel, talvez por que ano após ano ele não tenha me trazido o presente que eu passo o ano todo me comportando pra receber…ou por que sempre na noite feliz me acomete uma tristeza sem fim… de saudades …

Cá estou de novo, me entupindo de panetone, passas, ameixas, figos , amêndoas e nenhuma felicidade..

Eu ainda sonho amor, dias bonitos , felicidades simples , novas paisagens, ainda escuto marchinhas, ainda me entorpeço as vezes da mesma felicidade da terça-feira perfeita…mesmo que os outros dias este intervalo entre carnavais sejam um gigante e innexorável quarta-feira de cinzas…

cá estou, mesmo pedido, papai noel no entanto parece ainda não ter descoberto essa criança carente e ansiosa que habita em mim…

Te amo e acredito todo dia que o dia de dividir panetone contigo vai chegar…Feliz Natal, Meu bem…

criado por Andrezza Almeida    10:17 — Arquivado em: Sem categoria

22 de dezembro de 2008

De longe…

Eu, agora sabedora de umas dúzias de verdades… não chorei. Eu ri,  ri como uma criança diante do nariz vacilante de um palhaço, eu ri, de mim, das outras , de ti… não havia como chorar, essa paixão antiga que nutro por mim mesma sempre faz sobreviver em mim, como um náufrago, a parte de orgulho que perdida, me tornaia apenas digna de uma comiseração que dispenso, não faço a vítima , deixo esse papel para as mocinhas prantosas e descabeladas que construiram castelos de sonhos e se viram entre cartas espalhadas… já fiz cartas, já as tive, agora sou alguem que escreve para ninguem e ao mesmo tempo para todos, tiraram algo meu também, e eu? fico de longe como se isso não fizesse parte da minha própria história e fantasia. quedo anestesiada e feliz, estranhamente feliz… e sabedora dessas meia dúzias de verdade

Eu poderia como fiz tantas vezes apagar minhas próprias palavras na intenção de fazer falta para alguem, mas agora isso não faria mais sentido, seria apenas eu escondendo de mim mesma minhas próprias palavras. Das ondas que arrastaram tudo sobrou-me apenas essa Atlanta submersa de palavras que narram, o que suponho hoje, nunca existiu… deixo aqui meu devaneio, não posso apaga-los para magoar, eles não tem mais poderes, nem sentidos, ninguem sentirá por eles… e eu? quedo anestesiada e estranhamente Feliz.

Ainda devaneio entre o café da manhã e o login matinal, mas passa enquanto mastigo o realista feijão do almoço, miro o menino na rua, intuo sua fome e sou feliz de ser-me, e sou trist pelo menino, como se ver a dor de alguem e entristecer-me por ele resolvesse de alguma forma essa tristeza que  teria forças para me fazer morrer se eu tivesse decidido senti-la. Não, não farei poemas doloridos, não rosnarei selvagem, nem direi meus famosos impropérios, quedo anestesiada e estranhamente feliz…

Descobri minh entrada definitiva no meu ascendente e isso me explicou muta coisa sobre minhas ultimas sensações, eu agora cabrita ando as voltas com as soluções dos meus próprios problemas e vislumbro um futuro outro, ando sonhando com maravilhosos topos de montanhas… eu imaginem eu passional e obsessiva , agora sou também pragmática e obstinada, talvez isso, talvez uns planos muito bons e uns sucessos inesperados…ou mas promessas velhas de uns lugares inétidos , não sei…só sei que ando anestesiada e estranhamente feliz…

Decido não sentir… e sinto… muito…anestesiada e feliz…

criado por Andrezza Almeida    13:21 — Arquivado em: Sem categoria

16 de dezembro de 2008

Pra fazer sentido

Fiz-me precocemente velha em noites perdidas, entreguei-me a esta juventude que hora dou por completamente gasta, restaram-me apenas a jovialidade por dentro e alguns hábitos infantis tão introjetados que decidi incorporá-los a minha personalidade, como gastar meu último real de sorvete e gemer enquanto como algo realmente gostoso, sou paladar…

 

a chupeta perdida… os azedos cupuaçus e os travosos burutis , acarajé com coca-cola, pimenta por engano…

Fiz-me acima do peso com mãos cheias de farinha de rosca, sou parafuso solto por coxinha…

De gastar a juventude gastei as vistas, eu que paro diante do arco-íris e nuvens e busco um sinal de contato, meus olhos falam com o mundo, sou visão…pestanas queimadas na máquina … vistas nostálgicas de imensidão, vi outros povos, outras cores, outras línguas e sou feliz de ver-me a mim…

Fiz-me cega com dias perdidos na frente da luz dessas caixinhas… faço-me toda olhos pra enxergar-te os desenhos na escuridão…

Quase surda das festas de aparelhagens, quase burra de tanto roquemrrol , ouvi vozes dentro de mim mesma, ouvi acordes doídos de solidão… meus ouvidos furados de pequenos, nas cordas afiadas do bandolim… que soava pela noite de visagens das margens do igarapé miri…
Carimbó de Pinduca na prefeitura , Ivete me pisando o coração…Lenine meu amor da vida toda, cordas, bloco e quadrilhas… gritando o rubro-negro coração…é ..sou grito..sou audição…

Sou sabonetes, xampus e cheiros muitos sou meu nariz que sangra de solidão, sou esse cheiro no meio de pernas, sou olfato e recordação, compradas nos imensos mercados, que mal sabem como me acalentam o coração… sou um cheiro demorado no pescoço, nos dias de bolos e tradições…sou patcholi amarrado…sou alfazema de carnaval…

Mas teclando essas palavras… minhas aplaudíveis mãos …que anseiam pelos pêlos bem macios…e as tintas dessa tal devoração…

criado por Andrezza Almeida    14:12 — Arquivado em: Sem categoria

12 de dezembro de 2008

ai, ai…

 

e em cada segundo que passa

em cada passada de ponteiro

eu me pergunto se terei de volta

 

meu coração inteiro…

 

oh..

.a quem quero enganar…

 se meu peito fraco…

 palpitante e apaixonado

…se recusa acreditar…

criado por Andrezza Almeida    14:51 — Arquivado em: Sem categoria

11 de dezembro de 2008

A cerca de sonhos e separações…

Era uma casa, grande e vazia, e uma semi escuridão de noite enluarada, ranger de portas e muitas redes penduradas pelos cômodos, nestas redes, parentes velhos do tempo de minha ida infância, todos mortos, todos familiares, eu não tinha medo, era só uma saudade misturada com surpresa de ver velhos sábios e falecidos todos nas redes desse velho casarão… pela janela grande da frente o Anapú e a mangueira carregada de ninhos de japiins que fica na frente da casa da tia Leonila…

Não era a casa sem paredes dela, entretanto, o escuro casarão onde eu estava … Eu fui às redes, falei com os velhos e eles me disseram coisas, me contaram segredos e me lembraram de alguns sonhos do nosso povo, me falaram das receitas para dores que não aprendi por conta do abandono precoce do lar, das coisas difíceis que a civilização trazia, da paz perdida com a distância do mato… eu ia de velho em velho numa calma ouvidoria, nada falei, sentia apenas o coração aconchegado de estar perto de pessoas íntimas, familiares e amorosas… eles me falaram de mim, de como eu deveria honrar minha origem, fazer valer minhas vontades e manter vivo o espírito aguerrido dos nossos ancestrais.

Elas me fizeram ver, que não tenho vivido a realização de sonhos, que tenho me distraído de meu próprio bem e de como isso me tornava de alguma forma, algo para o que eu não fui feita, uma pessoa triste, fosse nada isso que me acomete , eu teria a pueril felicidade de outros tempos de coração vazio e corpo quente, falaram-me de como o ciúme envenena a alma e atormenta o espírito, me disseram de manter mente e corpo limpos e não alimentar desejos que farão tristes outras pessoas, chorei em sonho, acordei chorando e decidi parar, parar pra pensar um pouco nas outras muitas coisas que podem ocupar minhas preocupações , das outras muitas coisas que podem estar no lugar desta angústia.

Vislumbrei um futuro de tormentas, de alma envenenada, de gritos histéricos e indecifráveis e grosseiros silêncios e me vi triste, me vi murcha, calada, burra, e dessa vez não chorei, levantei, não, não quero que me envenenem a alma, não quero que me atormentem a mente, quero a paz que meus antepassados me prometeram, se eu parasse de desejar o que não me pertence e nem faz esforço pra ser meu.

Como já disse, e como eu há muito intuía sem materializar as frases certas, quero que meu coração tenha no amor não uma idéia imaterializada, muda e figurante de um plano outro de realidades, quero que meus afetos sejam simples como o sol se pondo, que eu saiba , sem dúvidas que ele estará ali no horizonte e que basta-me sentar na areia para que ele me dê a alegria besta de apreciar algo inevitável e cotidiano…

Juro por Deus que acordei sozinha e vazia, com algo que mandei pro estômago debaten-se ainda de lembranças e promessas vãs, e o vazio do meu peito me trrouxe uma paz, que anseio, a paz de não precisar correr atrás do imprevisível, e eu entendi… entendi que esse tipo de solidão que eu tenho , e esses tipos estranhos de amor que sinto e desisto, são fantasias de minha alma romântica, desvarios do meu espírito fraquejante por afeto e me consolei…

Cá estou agora, prisioneira de meus outros sonhos, adepta de uma mais egoísta filosofia… nada será como antes, por que nada deste antes me fez, em momento algum , plenamente feliz, e a partir de agora só me interessam alegrias e todas as tristezas não entrarão mais no quesito sentimentos inevitáveis de amores brutos , mas na condição de problema á ser resolvido.

Não sou ainda forte o suficiente para que amanhã tudo isso seja um muro erguido que me separe deste amado problema e desta aflição na minha alma, mas cá estou pá na mão, tijolos á vista… pra construir o que ninguém tem tido alma suficiente, um grande muro de separação… e nunca mais acordarei com a alma tímida, o peito oprimido e os pés gelados de solidão…

criado por Andrezza Almeida    12:59 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:

6 de dezembro de 2008

Distraída com desenhos…

Sabe o que é professora, é que ele num tá assim do meu lado e isso me distrai, preciso ve-lo, preciso te-lo, preciso ser dele e ele ser meu pra esse mundo de coisas fazer sentido, por que quase nada faz sentido… se eu num vejo ele

e quando ele dorme , quando ele ri, quando eu fico assim vendo os pelinhos, os desenhos, meu corpo esquenta, e eu fico assim, burra burra, no fundo, se o senhora quer saber professora eu  queria mesmo era colocar meu livro em cima dele , escrever em cima dele, discutir os conceitos todos com ele…

ai quem sabe eu conseguisse dizer alguma coisa inteligente, fazer uma ciência de verdade, ciente de que meu coração se acalmou, mas num é assim, o senhor num sabe, o que é ter um rendemoinho dentro do coração, padecer de uma tristeza de vida, ter uma saudade sem interrupção, como é que eu vou conseguir dizer coisas inteligentes, e até frias, se meu peito  vivem nesse fogo sem bombeiro que é meu amor por aquela figurinha pra sempre completadora do meu album de recortes…

desculpe professora…como eu ia dizendo o fato social é sincronicamente…

criado por Andrezza Almeida    12:12 — Arquivado em: Sem categoria

26 de novembro de 2008

Noticias de gabinete.

 

Entre conceitos…

uma pausa…

Mergulhada neste ofício de palavras penso …
imagino as cenas por  atrás de ti que tantas vezes vislumbrei
mar, lua, luta, luzes… te associo a bobagens e sou feliz de tua saudade, 

É do oficio amor! solidão, gabinete, confinamento é meio-mundo-meio-cela, sou agora cativa de minha própria obra e anseio ter-te outros dias meio-mundo-todo-meu.

comigo além da saudade, lembranças e homens mortos, sinto-me bem melhor que eles que jazem clássicos, mas jazem, eu ainda tenho esse peito quente e palpitante á quem recorrer nos súbitos falecimentos de mim que a vida tem me obrigado.

são os deveres, os mandos, desmandos e afazeres essa mistura exótica e doce á que chamamos maturismo e responsabilidades, mesmo que em meus sonhos ternos escalemos montanhas floridas e gargalhemos sob mangueiras perigosas.

desejaria, se me acontecesse de me realizarem desejos , que este teclado vacilante que tenho agora inadequadamente sobre as coxas, repousasse a madrugada afora sobre os pêlos macios que te descem da barriga, temo , que entretanto, eu não conseguisse co-relacionar os dados, fazendo apenas poemas de meus afetos afetados de ti e de tua beleza que em minha´lma faz festa, mesmo muda, mesmo distante.

cá estou entre números e realidades olhando através da windowns, te escrevendo minha word. paro escutando a valsa da menina quase-alice e me vem uma saudade infinita e perdida de outros dezembros, te amo repetindo  as muitas formas de amar-te que aprendi …por risos e lágrimas desses anos poucos e densos que temos atravessado…sentindo-te, mesmo quando não estás, sempre aqui, numa parte ocupada, invadida, semeada e apropriada que tua sem-terrisse tomou de mim.

são só os ossos do ofício, meu bem…

volto aos conceitos com uma saudade na alma,
uma angustia no corpo… 
 se te deixo agora é pra que outros dias possam ser

carne, festa , luta  e nossos

amo-te… tanto…que as vezes dói…

A

.

.

criado por Andrezza Almeida    15:10 — Arquivado em: Sem categoria

21 de novembro de 2008

os menininhos

Eu?

Eu via o menininho triste do oitavo andar, a olhar para as janelas, suspirar incertezas, remoer angustias, como um dia eu própria tinha feito, olhando o Anapú do trapiche de tia Leonila.

um dia sonhei ruas largas, gente colorida, e uma felicidade que eu intuia sem sentir, de ser grande… assim como o menino que dizia não saber amor, como se amor fosse logarítimos ou equações outras, dessas inúteis de passar de ano e viver histórias sem dízimas…

mas amor , menininho, é coisa fácil, que corre a casa, sobe na gente, depende da gente e cresce e acumula fatos que nos trazem mais ternura e cobrem a coisa amada de uma casca de coisas nossas, de coisas tristes como o menininho ou engraçadas como os filhotes.

ai, a alegria ignorante dos filhotes, as surpresas alarmadas com baratas, mosquitos, moscas, um descobrir o óbvio, que arranca dos peitos velhos e suspirantes um compadecimento enternecido.

eu vejo futuro, menino crescendo, filhote adulto, e antes mesmo que o menino seja um homem terá consigo um bicho grande, sabido, subidor, arranhador e serão dois felizes, o filhote que virou macho e o menino vivendo a história de ser homem, ambos amados, ambos aprendendo, no cotidiano de depender e querer o outro, a simples lição  que traz todo homem no peito desde da barriga da mulher.

quando eu era do seu tamanho menininho, o velho segurava minha mão e me ensinava que um dia eu ia ser só, que o tipo de amor que ele me dava junto cá velha, talvez nunca se repetisse, e que por isso eu teria de alimentar pra sempre com meu próprio sonho e minha própria saudade aquele amor e faze-lo durar e um dia doa-lo sem medo pra quem pudesse te-lo e compreende-lo, e isso, se ensina pequeno, se ensina filhote, eles podem ou não aprender, mas em nós fica por dentro a obrigação e a lição, menininho, de amar.

é a vida então esse compêndio meo-drama meo-riso, e ninguem vive a sorrir dia e noite sem ser tomado por tolo, nem á chorar sem interrupções sem ser chamado fraco.

na vida, finda a pimeira escola vem uma liberdade sem tamanho, assutadora , de bicho na selva, nós bicho na vida selva.

fiz cartas suicidas e rasguei, era minha prova de que mais que a morte eu queria ver essa tal de vida essa tal de liberdade esse tal de obrigatório e compulsório amor , por que a morte era certa, mas não esses desafios grandes, essas oportunidades únicas, esses corpos outros , essas bocas de gente, perna de gente, gente e cheiros, vida e gente, ai menininho, a vida é um the Sims com todos os extras e com todas as mais inreprogramáveis sensações…não perca os filhotes de vista, não queira ter sempre a vista os grandes, as coisas vivas quando grandem lamentam cativeiros e as vezes até é preciso deixa-las ir…são mundanas…

Nas ruas largas e suas solidões, pela janela de casa, entre mil parentes eu me vi só .

e tão livre que eu tinha o mundo inteiro sem ter mais nada e sem querer nem ao menos sair da janela, eu não saberia te dizer pequeno dramático grande menino, que dia foi que bateu a porta do meu peito essa felicidade simples que tenho hoje, esse contertar-me na alma com tão pouco mesmo que eu queira o mundo inteiro para meus domínios

Eu não saberia te dizer quais, dentre estas coisas que forjei na alma, eram boas ou dissimuladas, eu ja não soube o que dizer, e hoje ainda não sei, mas digo, aprendi que dizer e dizer realiza ou gasta as coisas que pensamos e sonhamos , desisti das cartas suicídas escrevendo cartas de amor, algumas tão ruins e falsas que foram juntar-se as suicidas na bagunça de papéis desistidos que me faz na vida, apenas poeta e mais nada…

apazigue o  coração, amanhã não serás mais um menino, acordarás quase um homem todo, mesmo que todo seja sempre a fatídica incompletude de ser gente…  um dia acordei mulher cobrindo lençóis de sangue, achei que tudo tinha se revelado… então aprendi sobre filhotes e descobri que os segredos nunca findam…apenas se incorporam de novas faces e inéditas travessuras, vá rapaz, a vida te espera, a história não espera ninguem e aceita todos…selecionando apenas alguns corações fortes para protagonizarem seu roteiro… va pule de cabeça na realidade, nada, contém mais adrenalina por segundo…

a gente se encontra na história

criado por Andrezza Almeida    9:20 — Arquivado em: Sem categoria
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